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Dr. Jean Klay

ARTROPLASTIAS

 

As artroplastias são cirurgias realizadas para restaurar o movimento sem dor de uma articulação, preservando a função dos ligamentos, músculos e outro tecidos moles. A grande indicação é a artrose (primária ou secundária) dolorosa e incapacitante, não responsiva ao tratamento não cirúrgico. Os primeiros relatos desta cirurgia na literatura médica datam de meados do século XIX, mas os principais estudos na área surgiram na década de 60 do século passado, com a adição de novos conceitos biomecânicos, com a evolução da técnica cirúrgica e dos materiais utilizados nos implantes. Estimam-se que sejam realizadas cerca de 500.000 artroplastias por ano nos EUA. No Brasil não existem números oficiais.

Em função de grandes investimentos na área de pesquisa básica, as artroplastias têm evoluído bastante nos últimos anos, o que culmina com melhores resultados e maior sobrevida do implante. O primeiro grande avanço está relacionado a maior compreensão da biomecânica de cada articulação, de tal sorte que os desenhos dos implantes procuram simular a anatomia normal, podendo muitas vezes imitar a anatomia de cada paciente. O Segundo, consiste na técnica cirúrgica que a cada dia é menos agressiva, o que possibilita ao paciente uma recuperação mais breve, uma vez que na maioria dos casos ele já pode ficar de pé no primeiro dia de pós-operatório e caminhar no segundo dia. E finalmente a evolução dos materiais usados nos implantes tem fascinado e surpreendido a todos, com a criação de novos compostos que aumentam a durabilidade e diminuem o desgaste do implante.

Quando comparamos as próteses nacionais com as importadas, sobretudo das principais empresas, as grandes diferenças encontradas são nos estudos científicos que confirmam os bons resultados clínicos, assim como na tecnologia usada para a obtenção dos materiais usados nos implantes, haja vista que há escassez de estudos científicos sérios com implantes nacionais, de tal sorte que acredita-se, baseado apenas em relatos pessoais e informais, que sua sobrevida de um modo geral, gira em torno de 5 a 10 anos, após tal período faz-se necessária a troca do implante. Quando nos reportamos aos implantes importados de empresas consolidadas no mercado, estudos recentes mostram sobrevida de 70-80% em 20 anos, existindo uma expectativa em alguns modelos, sobretudo aqueles constituídos de cerâmica que tal sobrevida chegue próximo de 30 anos. Outra desvantagem dos implantes nacionais está relacionado ao instrumental fornecido para a execução das cirurgias, que quando comparado com o das próteses importadas, mostra-se bem menos elaborado e portanto menos preciso, o que dificulta o procedimento para o cirurgião, principalmente nos casos mais graves e/ou com anatomia mais alterada.

Atualmente os Hospitais Porto Dias e Adventista de Belém tem à disposição de seus pacientes, as próteses de quadril e joelho de uma das mais reconhecidas empresas do ramo no mundo. Trata-se da Americana WRIGHT, cujos implantes trazem o que existe de mais novo em termos de conceito biomecânico, designer e materiais utilizados na sua produção. A prótese de joelho, por exemplo, virá nos modelos unicompartimenta, total e de revisão. Todas constituídas de uma liga de cromo-cobalto, com polietileno de ultra-alto peso molecular, vindo com a proposta de maior preservação do tecido ósseo, além da revolucionária estabilização do pivot medial, possível em função do seu designer diferenciado. As próteses de quadril existem nas versões cimentada, não cimentada, híbrida e de revisão, havendo a possibilidade de em qualquer uma destas utilizar-se das superficies de cerâmica à base de óxido de alumínio, considerada hoje como a última palavra em superfície de contato nas artroplastias do quadril, ainda existem as opções polietileno tipo cross-link (método mais moderno na produção do polietileno) e metal constituído de uma liga de alto carbono, revestida por cromo-cobalto ou titânio plasma spray, dependendo se a prótese é cimentada ou não cimentada. Outro grande diferencial destes implantes está na grande variedade de tamanhos, modelos, diâmetros, o que permite ao cirurgião maior precisão, com grande possibilidade de fazê-la o mais próximo possível da anatomia de cada paciente. Tal situação colocará definitivamente estes Hospitais no rol dos grandes hospitais da área de Artroplastias do Brasil, uma vez que até então tratava-se de uma realidade concentrada nas regiões sul e sudeste. Com isto os grande beneficiados, sem dúvida, serão os pacientes da região norte do país.